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Por que não é raro ver esportistas envolvidos com acusações de assédio sexual?

19/10/2020 às 01:42
Por que não é raro ver esportistas envolvidos com acusações de assédio sexual?

O caso Robinho reacendeu um debate que não é novo, mas que nunca contou com tanta mobilização e holofotes como nos tempos atuais.

Mike Tyson chegou a cumprir pena por estupro, no início da década de 90. Depois disso, na qualidade de estuprador que cumpriu metade da condenação e foi libertado por bom comportamento, tornou-se novamente campeão mundial e fez as lutas históricas contra Evander Holyfield. E tudo indica que voltará a lutar, mais uma vez, contra Roy Jones Jr., aos 54 anos. Deixou de ser multicampeão ao se aposentar, mas nunca vai deixar de ter sido estuprador.

As lendas Kobe Bryant e Cristiano Ronaldo sofreram processos por conta de acusações de estupro e confrontaram a narrativa das acusadoras com base no argumento de que teria sido consensual. Em ambos os casos, houve acordo extrajudicial com pagamento de vultuosa indenização.

E, infelizmente, há múltiplos exemplos de situações similares, em diferentes esportes. Só que, com a crescente afirmação das mulheres em todos os segmentos, já é possível perceber uma transformação na sociedade que parece nos direcionar para um lugar melhor.

Ninguém parece disposto a tolerar a linha de defesa de que não é exigível que o homem interprete o estado de embriaguez de uma mulher. Ninguém parece disposto a admitir que só determinados tipos restritos de conduta sejam classificados como assédio sexual. E, ainda bem, quase ninguém compra a tese de “perseguição da Rede Globo” – quando a imprensa joga luz em um documento público de sentença de condenação por estupro.

Homens poderosos – como são os esportistas de sucesso – podem ter sido criados em um tempo em que mulher não podia dizer “não”, em que a Justiça era mais flexível, a mídia dormia no ponto e a sociedade preferia ponderar sobre a postura e a linguagem corporal da vítima. Os tempos mudaram. E não ter percebido isso não vale como “salvo-conduto”.

Hoje, a sociedade é vigilante, a legislação se modernizou, as mulheres mandam em si e os patrocinadores não podem correr o menor risco de terem a marca associada a fato tão repulsivo. Então, que sirva de lição.

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